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[Review] Hannibal 1x08 - Fromage


Sinfonia do medo.

Seguindo os passos de Will Graham que semana após semana vem mostrando a variância macabra de um designer forense, Hannibal já estabeleceu um estilo instigante e sensacional para montar sua narrativa. Num episódio somos apresentados brevemente a personagens como a psiquiatra Bedelia Du Maurier e ao solitário Franklyn Froideveux, para logo depois seguirmos a relação dos dois com os coiotes da vez, aqui o sedutor Hannibal Lecter e o poético Tobias Budge. Tudo isto sendo guiado pela elegância dos diálogos metafóricos (que já são marcas da série) e o grafismo de mais um caso violento que caiu nas mãos de Jack e na visão de Will.

Logo de cara nos é apresentado a “arte” de Tobias, um brilhante músico que não usa as esperadas entranhas de gato (nem sabia dessa) para confeccionar as cordas de seus instrumentos, mas sim entranhas humanas. A cena faz rima ao preparo das refeições de Hannibal que já vimos em outros momentos e só não arrepia mais, porque logo depois ganhamos o design de Will para inusitada serenata que Tobias preparou com o intuito de conquistar um amigo. Fiquei desconcertado com a cena e o som emitido pelo momento em que Will toca as cordas vocais da vítima, tratadas por Tobias para garantir a melodia perfeita foi genuinamente tenebroso.

Se para Jack, Will vem ficando mais confortável durante a reconstrução das cenas, na verdade o consultor está cada vez mais se perdendo durante o trabalho. Garret Jacob Hobbs sempre vem a sua mente e o começo do que pode vir a ser uma brutal evolução dos terrores noturnos vai se materializando nos sons de animais torturados que Will agora diz estar ouvindo. Essa fragilidade causa um pânico tão grande que só a sensação de proximidade com a Dra. Alana Bloom consegue diminuir o seu medo. Infelizmente fica claro que os dois não tem muito futuro, a ambição por parte dela e a conveniência por parte dele é uma receita que só afundaria Will ainda mais. Como o medo e a amizade foram temas centrais durante o episódio, a ida de Will à casa de Hannibal só para contar a preocupação que um beijo lhe causou, mostrou que o médico também é uma âncora para ele.

Os diálogos entre Bedelia e Hannibal foi a saída que os roteirista acharam para humanizar o assassino sem soar forçado. É impossível não fixar cada frase dita por eles. Hannibal não esconde o quão desconfortável as consultas com Franklyn se tornaram e conta para ela que também está a procura de um amigo. Esse anseio para se encontrar deve ser fruto da psicopatia, pois a serenata composta por Tobias era justo para Hannibal. Por um momento fiquei com medo das coincidências incomodarem, mas Tobias na verdade descobriu a identidade do psiquiatra ao escolhê-lo como vítima e por isso o empenho em usar Franklyn para deixar as sugestivas informações.

Hannibal mandar Will direto para Tobias depois do próprio ter dito que mataria qualquer investigador antes de fugir me pareceu um teste bem conveniente. Felizmente a sequência na casa do músico me lembrou não só o desfecho de O Silêncio dos Inocentes como rendeu a posterior cena de luta entre Hannibal e Tobias. A coreografia do embate no consultório foi de deixar qualquer um sem palavras. O duelo entre os dois psicopatas foi brutal e não terminou bem para Tobias e Franklyn. Mais curioso ainda, é notar que com o resultado do ataque, Hannibal encontrou uma forma de se aproximar de Bedelia, que passou por algo semelhante no passado.

Com nuances poéticas para estreitar o tênue laço que pacientes submetidos a terapia mantêm com seus médicos, Hannibal se supera nos guiando por um universo tão sombrio e inquieto que fica difícil conter a expectativa para saber o que vem a seguir. Um estilo melódico para construir uma história de horror, que até agora segue com minha total aprovação.

P.S.1: Will consertando motor de barcos, dica sobre o futuro do agente especial.

P.S.2: Nada de renovação ainda, mais os rumores da operação regate pelos canais da TV à cabo já começaram. Torço por Showtime ou FX.  
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