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[Review] Mad Men 6x08 - The Crash


Quando o nome da série faz todo o sentido.

Há episódios em que Mad Men abandona sua narrativa lenta para apresentar algo denso e completamente envolvente durante todos os minutos. The Crash é um desses episódios. Desde a primeira cena mostrou que seu ritmo ia ser diferente, que havia algo fora do comum a ser mostrado. Eis que podemos dizer que para entendermos um pouco mais sobre quem é Don Draper hoje, é crucial olhar seu passado e assim, o que é confuso acaba ficando claro, e o que é misterioso é enfim revelado. Comentarei brevemente outros personagens, mas o foco será fundamentalmente no protagonista.

Don teve pouco ou nenhum amor durante a infância e juventude. Perdeu a virgindade com a única pessoa que pareceu demostrar algum afeto por ele nessa fase (acho que podemos concluir isso baseando-se nos poucos flashbacks), uma prostituta que viveu um período na casa de sua madrasta. Madrasta aliás, que provavelmente é uma das causas da frieza do Don adulto. Essas experiências foram construindo um homem frio que pouco amou e nem sabe se foi amado. Mas isso não quer dizer que ele é incapaz de se apegar a alguém. Don se conecta com Sylvia e quando ela o quer longe ele sofre, não porque a ama, mas sim porque ela preenche algo que deveria ser algum sentimento, mas esse sentimento não existe ou pouco se manifesta em Don. Exaustão. Esse é o estado do protagonista, mas então vem a injeção de ânimo de uma medicina suspeita, e então tudo muda. Felizmente é melhor enlouquecer coletivamente, e Don teve a sorte de todos na agência estarem pirados e ainda assim em busca de uma campanha que satisfaça a Chevy. Não que ele busque por isso, na verdade é muito complicado dizer o que Don buscava durante seu transe devido a injeção. Poderia dizer que ele buscava uma forma de fazer Sylvia mudar de ideia. Foi o que pareceu no final, mas sempre espero algo maior quando o assunto é Don Draper. O homem fechado que quando entra em estado de êxtase, explode em ideias sobre todas as coisas. 

Deixar a porta aberta após mais uma tentativa de recomeçar seu affair quase custou caro. Para não deixar a tensão cair, Matthew Weiner opta por uma cena onde os filhos de Don ficam em risco. E onde está Don nesse momento? Totalmente alheio a tudo, em sua busca incansável para encontrar a antiga campanha que é a chave de todos os possíveis problemas. De tudo segundo ele, de tudo para ele. Draper pira muito após a injeção, mas isso ajuda a saber mais sobre esse personagem tão reservado a si mesmo. Quando Don chega em casa e tem de lidar com a situação dos filhos, eu só consegui pensar em uma coisa: era um bom momento para desmaiar. Por sorte o showrunner pensou a mesma coisa. Foi um choque para Don retornar a realidade da família  após toda a viagem em busca de algo que sirva de resposta para suas dúvidas. Don ainda vai tentar voltar com Sylvia, não por ela, mas pelo que ela traz ou trazia: prazer e distração. Os motivos de ele tanto querer isso é mostrado em todos os episódios. Don e seu vazio, que precisa ser constantemente preenchido com distrações, pois senão retorna, e cada vez mais forte em cada retorno.

Voltando ao normal após o desmaio, Don se reorganiza como sempre faz. Volta a sua posição de autoridade, e avisa a Ted que não vai mais se importar com a conta da Chevrolet. O motivo ele resume em uma frase: "Toda vez que ganhamos um carro, isso aqui vira um puteiro". A frase resume o que aconteceu na agência durante esse The Crash. Por isso acho desnecessário comentar sobre os outros, mas fica um destaque para Peggy e sua presença sempre crucial em cada episódio. Sua conversa com Stan também demostra que ela teve várias experiências na vida, muita das quais acompanhamos e isso moldou quem ela é atualmente, assim como acontece com Donald Draper. Também destaco a conversa entre pai e filha no fim do episódio. A imagem que Sally tem do pai também revela algo mais sobre nosso protagonista.

A questão que fica de tudo isso é: até onde vai Don? Até onde ele aguenta, ou se tem uma salvação para seu caso. O brilhante publicitário, mas homem infeliz, este Mad Man, pode ser explorado até que ponto? É interessante notar que Don parece estar chegando ao limite, exatamente quando a série já caminha para sua provável última temporada ano que vem. O roteiro estritamente planejado apresenta a cada semana uma trama excepcional sobre a vida dessas pessoas nesse cenário mais que propício que é esta agência de publicidade. Mas penso que, no futuro, Mad Men não será lembrada como "uma grande série sobre publicidade", mas sim como uma grande série sobre Don Draper, Peggy Olson e tantos outros complexos personagens, envolvidos em um complexo contexto social que foi a década de 1960. Não há série como essa atualmente, desculpem-me os haters, mas ela esta provando a cada semana a razão de ser a melhor no ar. 

Considerações Finais

- Ken dançando. Quem disse que você não pode morrer de rir vendo Mad Men?

- Não há motivos para não dar mais um 10.

- Seus comentários são sempre bem-vindos. Até a próxima! 
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