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[Homevideo] Spring Breakers - Garotas Perigosas, Procurando Sugar Man, Minha Vida com Liberace e Temporada de Caça

A nova edição da coluna Homevideo é inteiramente dedicada aos lançamentos inéditos nos cinemas ...


A nova edição da coluna Homevideo é inteiramente dedicada aos lançamentos inéditos nos cinemas brasileiros, saindo diretamente nas locadoras ou na TV por assinatura. Confira:

Spring Breakers - Garotas Perigosas

Spring Breakers

Estrelando duas atrizes que foram levadas à notoriedade através de séries e filmes infantis da Disney, pode-se definir Spring Breakers como tendo sido escrito especialmente para elas. Temos quatro jovens, estudantes e ligadas com a família, saindo para suas férias escolares e escolhendo ir ao popular Spring Break para aproveitá-las. As garotas decidem roubar para conseguir o dinheiro destinado a pagar a viagem. A partir daí, vivenciarão uma subversão de todos os costumes e educação que seguiam até este dia, na busca por aproveitar seu período de proveito enquanto buscam o conhecimento de si mesmas nesta jornada, envolvendo-se com crime e outros fatores pelo qual não esperavam. As estrelas citadas são Vanessa Hudgens (High School Musical) e Selena Gomez (Os Feiticeiros de Waverly Place), mas diferentemente das histórias da Disney que retratam garotas em transição da infância para a juventude, aqui temos esta mesma transição - alguns anos mais avançada - sendo trazida com realismo e força, num conto de fadas ao contrário, que espanta o conservadorismo e contrasta sequências em que as garotas inocentemente brincam e riem com outras em que consomem drogas e são psicologicamente influenciadas por estas. Pouco a pouco, cada uma daquelas garotas percebe que a viagem não seria vivida como elas esperavam, a presença do conhecimento pessoal, para uma geração sem objetivo, não consegue ganhar prioridade, e as resta apenas adaptar-se à situação, por mais confusa que esta pareça. Uma pena, então, que o longa equilibre reflexões como esta através da confusão fotográfica que evidencia a falta de clareza daquelas garotas com a situação, e outras sequências em que precisa deixar tudo muito claro e repetitivo sobre a perda da inocência passada ali, tornando-se um pouco arrastado na retratação de sua trama, que vai sendo conduzida até uma conclusão que deixa reflexões entre o vazio e a percepção de que esta inocência havia sido definitivamente deixada para trás, numa obra funcional para a realização de algumas fortes reflexões sobre seu tempo, ainda que cometa falhas em suas linhas narrativas.



Procurando Sugar Man

Searching for Sugar Man

O documentário venceu o Oscar deste ano, mas como grande parte das produções do gênero, não passou pelos cinemas brasileiros e sequer ganhou versões para locação, estreando diretamente na TV por assinatura através dos canais HBO. Uma pena. Comprometendo-se a desvendar a história de Sixto Rodriguez, um talentosíssimo, porém praticamente desconhecido cantor e compositor, que conta com uma história misteriosamente fascinante, e evitarei aqui descrever mais sobre sua abordagem, uma vez que, caso você não faça parte do aparentemente seleto grupo que conhece a história do artista, se surpreenderá com cada nova descoberta sobre a mesma - e esta é, realmente, fascinante. Além de desvendar a verdadeira jornada de Rodriguez, Procurando Sugar Man aproveita-a para realizar observações condizentes com o contexto desta, como a conclusão da tamanha injustiça que acontece dentro da indústria musical e o modo como o artista empenhou importante papel indireto em movimentos políticos em outra região do globo - papel este que nem mesmo o próprio conhecia -, tudo isto embalado pelas excelentes canções de Rodriguez e com uma divisão clara dos atos que dá até a certa lembrança de um longa ficcional - reservando verdadeiras reviravoltas para o terceiro ato -, numa das tramas mais envolventes que a Sétima Arte nos entregou neste ano e que merece ser vista por muito mais gente, assim como o próprio retratado.



Minha Vida com Liberace

Behind the Candelabra

Telefilme com produção original da HBO e também lançado diretamente na divisão brasileira do canal - após breve passagem pelo Festival do Rio -, o drama responsável por narrar a história do multifacetado, extravagante e extremamente popular artista Walter Liberace durante os anos 1970 e 1980, época na qual o mesmo tinha que conviver com os desafios de não revelar-se publicamente gay, com medo de perder seu reconhecimento, e sua conflituosa relação com Scott Thorson, que foi muito mais do que o esperado para a vida de Liberace. O longa ganhou aclamação e diversos prêmios - incluindo no Emmy -, justamente por narrar uma história que desperta muito interesse do público americano, e especialmente por trazer uma equipe renomada no campo do Cinema para realizar um trabalho na televisão, contando com a direção do vencedor do Oscar, Steven Soderbergh (Traffic, Erin Brockovich, Onze Homens e um Segredo), e no elenco os nomes do também vencedor do Oscar, Michael Douglas (Wall Street - Poder e Cobiça) e Matt Damon (A Identidade Bourne, Elysium), para protagonizá-lo, dando mais uma confirmação de que a Academia televisiva adora quando grandes astros da telona aparecem em seus trabalhos, considerando que Minha Vida Com Liberace é apenas mediano. Apesar de contar com uma premissa que o daria possibilidades para realizar importantes reflexões sobre a negação da sociedade a ter seus grandes ídolos como homossexuais e construir seu protagonista como uma figura complexa, da forma como o mesmo merecia, o roteiro de Richard LaGravanese (Dezesseis Luas) contenta-se em narrar a relação entre os dois personagens principais e suas intermináveis crises - com direito a uma abordagem bastante melodramática - e construir o mundo de Liberace com muitas extravagâncias - algumas bem-vindas - e pouca profundidade, cedendo-se ao direito de desperdiçar algumas sequências apenas com repetições ou o comentário de alguma personagem, sustentando-se apenas na performance de Douglas, que embora torne-se monótona com o tempo, começa arrasadora, de Damon, que realiza o processo contrário, tornando-se mais interessante conforme seu personagem evolui, e da inspiração de Soderbergh - que havia anunciado este como seu último trabalho - com as câmeras, pois aqui realiza diversos belos enquadramentos. Aliás, é interessante lembrar que este projeto deveria ter sido lançado nos cinemas, mas foi recusado pelos grandes estúdios, provando como a visão que a mídia e a sociedade tinha com relação a Liberace naquela época, infelizmente pouco mudou.



Temporada de Caça

Killing Season

John Travolta (Dupla Implacável) e Robert De Niro (A Família) reúnem-se para um thriller de ação, e o que anos atrás garantiria expectativas altas e um grande lançamento nos cinemas, hoje garante apenas um espaço na prateleira da locadora mais próxima, com a triste esperança de que, considerando a carreira recente dos astros, grande coisa não deverá vir - infelizmente, esta expectativa estava certa. Travolta - com um sofrível sotaque russo, ou sabe-se lá que nacionalidade - vive um veterano de guerra soviético que, após ter sofrido com os conflitos militares em sua juventude, agora decide caçar um veterano americano (De Niro) do qual ainda tem lembranças e que está vivendo isoladamente no local. O encontro entre os dois personagens começa interessante, no contra-ponto entre o americano, que através da interpretação do ator que já foi o grande parceiro de Scorsese, consegue passar a impressão de um homem cansado e pacífico, e o bósnio vivido pelo ator que outrora estrelava Pulp Fiction, transmite um certo sentimento de ameaça por trás de suas intenções. Mas a partir de quando o segundo deixa estas intenções mais claras e começa a caçada por tentar acabar com a vida do primeiro, a narrativa cai num jogo de gato e rato que mistura-se com o drama de sobrevivência na floresta e arrasta-se durante uma hora em que pouco acontece além dos confrontamentos entre os dois que não levam a lugar algum além de diálogos previsíveis que levam à lembrança da época militar e tentam justificar as motivações daquele homem em sua caçada, não convencendo em suas funções dramáticas e tão pouco com sequências de ação, que são filmadas de forma confusa pelo diretor Mark Steven Johnson (Motoqueiro Fantasma). É, este filme está onde deveria.


Outros lançamentos das últimas semanas que ganharam críticas quando em cartaz:

Homevideo 3089685523046851583

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