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[Resenha] As Peças Infernais: Princesa Mecânica

A conclusão de um futuro clássico.


A conclusão de um futuro clássico.

Vou ser sincero: não esperava muita coisa de Princesa Mecânica. Até então, As Peças Infernais ainda não tinham me ganhado completamente: Anjo Mecânico foi um livro divertido, mas sem personalidade; já Príncipe Mecânico foi uma grande história, mas também faltava algo. Parecia ser tarde para fazer algo realmente marcante da trilogia, mas eis que chega Princesa Mecânica, a devastadora conclusão da saga de Will, Jem e Tessa. Se Princesa faz jus a toda a aclamação do público (incluindo a impressionante nota de 4.8 estrelas no Skoob)? Sim. Princesa Mecânica transcende a fantasia e o romance teen, entregando não só um magnífico final para As Peças Infernais, como também se firmando como um dos melhores livros dos últimos anos.

O terceiro volume de As Peças Infernais começa dois meses depois de Príncipe Mecânico. O Magistrado prepara seu ataque final contra o Enclave, e, com seu exército de autômatos pronto para a guerra, ele só precisa da peça final de plano: Tessa Gray. A garota está cada vez mais próxima de descobrir o que é que a liga aos Caçadores de Sombras e a Mortmain, cada vez mais perto de descobrir a origem de seus poderes. Com o Instituto e a direção de Charlotte no meio de uma crise política, bem como a volta de Cecily Herondale, Jem, noivo de Tessa, começa a adoecer novamente - e Will faria qualquer coisa para proteger as duas pessoas que mais ama no mundo.

Desde o início da saga, As Peças Infernais teve em seu benefício a escrita belíssima de Cassandra Clare, que se adaptou com perfeição aos costumes do século XIX e conseguiu criar vários paralelos com romances da época. Entretanto, é inegável que, mesmo com a perfeição técnica, As Peças tenham sofrido com problemas de organização e de foco em seus dois primeiros volumes. Pois bem, esqueçam tudo isso. Esqueçam todas as falhas dos livros anteriores. Princesa Mecânica não só as corrige, tornando-se um livro impecável em todos os sentidos, como as redime, e nos faz esquecer-las.

Princesa Mecânica já começa com uma longa batalha, quase que como para justificar a falta de um clímax no livro anterior. A partir dessas primeiras páginas, então, o livro não para mais. Cada momento é movimentado e cheio de nuances, e, se determinadas situações não forem particularmente interessantes, estas acabam sendo importantes para algum acontecimento mais tarde. Princesa tem algumas das melhores cenas de todo o universo dos Caçadores de Sombras (incluindo os cinco livros já lançados de Os Instrumentos Mortais), tanto no quesito comédia (a reunião no Instituto durante o capítulo 17 é a coisa mais fofa e engraçada que Cassandra Clare já escreveu) quanto no quesito drama. A trilogia investiu pesado num clima cheio de tragédia e tristeza, e, em Princesa Mecânica, atingimos o ápice.

Logicamente, não posso dar nenhum grande spoiler, mas posso dizer isso: mesmo que o livro todo seja incrivelmente triste e sombrio, as últimas 80 páginas são simplesmente devastadoras, e, aos mesmo tempo, alegres e recompensantes. Tenham em mente que estas páginas se passam já depois do clímax do livro - ou seja, todos os acontecimentos mais importantes em relação à saga e à mitologia já tinham acontecido, portanto deixando espaço para focar somente nos personagens. E estas últimas páginas nos fazem perceber que As Peças Infernais nunca foi a história de como os Caçadores de Sombras lutaram contra o Magistrado e seu exército de autômatos. O vilão e a magia nunca foram o foco, somente panos de fundo para os dramas pessoais - e não pensem que estou falando de meros dramas adolescentes, não.

Um desavisado jamais diria que esta história começou como uma fantasia teen de tão madura, adulta e sincera que ela se tornou. Um exemplo disso é a relação entre o triângulo amoroso Will-Jem-Tessa, que não só é abordado de maneira completamente inovadora, como é o aspecto mais emocionante e mais triste de toda a saga, de todo o universo dos Caçadores de Sombras, e, sejamos sinceros, quem poderia imaginar que um simples triângulo amoroso se tornaria esse soco no estômago? Princesa Mecânica nos guia, com maturidade e inteligência, pelo último adeus destes personagens tão queridos, que cresceram muito além de nossas expectativas. Seus últimos momentos são agridoces, melancólicos e de partir o coração. É impossível explicar a extensão do quão complexo, criativo e genial é esse final, e o quanto ele é capaz de emocionar mesmo o mais duro dos corações. Este não é o fã falando: Princesa Mecânica é capaz de nos destruir e nos fazer sorrir, muitas vezes, ao mesmo tempo.

Faz muito tempo que não me sinto assim com um livro, e certamente faz mais tempo ainda que não me sinto assim com um livro de saga - talvez, desde meus 12 anos, quando ainda não tinha tido contato com as sagas mais fracas. Para falar a verdade, eu tive que esperar dois dias antes que pudesse escrever esta resenha, e ainda agora estou assombrado por esse final. Fugindo de todos os clichês e encontrando sucesso em emocionar (e destruir) o leitor, Princesa Mecânica não é simplesmente o melhor livro da trilogia, é o melhor livro do universo dos Caçadores de Sombras, botando todos os outros (desde Os Instrumentos Mortais até Anjo e Príncipe Mecânico) no chinelo. Aliás, eu, cético com As Peças Infernais, estou convencido de que esta saga é, sim, melhor que Os Instrumentos Mortais - tudo por causa de Princesa Mecânica. Eu sempre soube que todos os outros livros deste universo literário tinham um público muito específico, mas não Princesa Mecânica. Este livro - esta saga - pode ser recomendado para todos, desde leitores teen até fãs de literatura clássica. As Peças Infernais, com sua ambientação vitoriana, seus tons de steampunk e seu clima extremamente trágico, está destinado a se tornar um futuro clássico.

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