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[Review] The Leftovers 1x03/04 - Two Boats and a Helicopter/B.J. and A.C.

A sombria saga sobre a condição humana continua. 1x03 - Two Boats and a Helicopter Two B...


A sombria saga sobre a condição humana continua.

1x03 - Two Boats and a Helicopter

Two Boats and a Helicopter é um episódio que faz jus à premissa mórbida e sombria de The Leftovers. Já em sua estarrecedora cena de abertura reconhecemos o clima que perdurará por este terceiro capítulo, que, se não for o melhor da série, ao menos é o mais emocionante e assombrosamente humano.

Two Boats and a Helicopter ganha pontos pelo maior foco - talvez, justamente por diferir dos episódios anteriores e focar em apenas um personagem, o padre Matt Jamison. A possibilidade de ceder um episódio inteiro para desenvolver Matt, afastando-se do elenco principal, provavelmente foi o motivo de seu drama ter conseguido se tornar tão palpável e desesperador de maneira tão rápida. 

Para isso, claro, Two Boats and a Helicopter contou com um dos roteiros mais organizados e bem planejados até aqui, conseguindo mesclar bom ritmo, existencialismo e um crescente sentimento de angústia e tensão a cada novo twist na trama. De fato, talvez tenha sido esta maior organização que permitiu uma assimilação mais fácil de todas as aspirações da série; The Leftovers não tem sido complicado de entender como alguns comentários fazem parecer, mas, até então, as metáforas pareciam perdidas no meio da trama, como meros extras. Two Boats and a Helicopter provou que é possível, sim, botar uma história para frente em harmonia com a análise da condição humana que a série propõe desde o piloto. Juntamente a isto, a direção de Keith Gordon só fez adicionar ao estilo visual da série (que por sua vez já não era nada menos que ótimo), com uma intrigante sequência surrealista próxima ao final. 

A grande falha (e talvez a única) é o pouco impacto que Two Boats and a Helicopter tem sobre o plot principal. Sabemos que o objetivo era mesmo se afastar de Kevin e sua família e desenvolver uma história à parte, mas, ainda assim, fica a sensação de que paramos no tempo por uma semana com um episódio filler. Talvez, se os episódios anteriores tivessem avançado um pouquinho que fosse na trama, esta sensação não fosse tão forte. 

Belamente estruturado, Two Boats and a Helicopter é um triunfo para The Leftovers, mesmo que não seja um episódio exatamente importante. São de histórias assim, com esta exata força, que a série precisa para seguir em frente.




1x04 - B.J. and the A.C.

Depois da surpresa que foi Two Boats and a Helicopter, B.J. and the A.C. foi o capítulo mais fraco até aqui. Começando pela desorganização, um problema recorrente em The Leftovers. A trama do Menino Jesus roubado até funciona como metáfora para a situação do delegado Kevin e da humanidade pós-arrebatamento, mas não como mote principal do episódio. Apenas ocasionalmente interessante, este plot não só pareceu supérfluo, mas também mal calculado do início ao fim, cheio de pretensões intelectuais falhas.

Outra questão foi, novamente, o pouco de avanço na trama principal. Estamos quase na metade da temporada, e a situação pouco mudou desde o piloto. O culto dos fumantes de branco, os Remanescentes, continua no mesmo pé, assim como o delegado Kevin e os cachorros; Jill não segue nenhuma linha definida, de modo que parece simplesmente andar perdida pelos episódios (inclusive, neste episódio em particular, esta falta de rumo resultou numa das piores cenas da série, completamente desnecessária e digna de uma série teen cafona); Tom é o único que parece ter avançado um pouco, mas, infelizmente, é protagonista da trama mais massante da série. A impressão que fica é que The Leftovers ou está tentando nos enrolar para se estender pelos episódios restantes da primeira temporada ou simplesmente já está perdida e sem rumo, apenas quatro episódios após sua estréia. Afinal, onde a série quer chegar? Pior, será que existe algum lugar a se chegar?

Nem tudo são falhas, entretanto. Mesmo com todos os seus problemas, B.J. and the A.C. ao menos esclareceu alguns pontos em relação ao desenvolvimento dos personagens - como o divórcio de Kevin e Laurie, a aparente existência de outro marido antes do delegado e um provável motivo para a separação - e entregou algumas cenas realmente desesperadoras, como as previamente citadas, que melhoram bastante a segunda metade do episódio ao ponto de não torná-lo um completo desperdício. Mais uma vez, digo: o que falta em The Leftovers é organização; no momento em que a série conseguir mesclar um bom ritmo de desenvolvimento com suas metáforas e momentos emocionais, de forma que um não tenha que atrapalhar o outro, teremos uma das melhores séries da TV atual. Até lá, ficamos com estes plots hesitantes quanto ao que estão fazendo e ao que estão tentando dizer.

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