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[Review] The Walking Dead 5x05 - Self Help

A coisa mais fácil do mundo.


A coisa mais fácil do mundo.

Nesta quinta temporada, The Walking Dead finalmente assumiu que em um mundo pós-apocalíptico só há espaço para pragmatismo (se você quiser sobreviver, claro). Vimos isto refletido nas decisões de Rick nos dois primeiros episódios, nas escolhas do padre Gabriel e na ditadura comandada por Dawn no hospital em Atlanta. O trio Abraham, Rosita e Eugene sempre ventilou que, sem foco e praticidade, seria impossível sobreviver numa jornada onde as estradas são dominadas por hordas de walkers e pelos mais inumanos dos sobreviventes. Infelizmente até duas semanas atrás, esses três personagens marcantes das HQs só serviam para cenas de ação e uma ou outra frase de efeito.

O que acontece em Self Help é justo o que se espera de um episódio sobre origens, mas o trunfo dele é que de uma forma bem mais orgânica que aquela vista no quarto ano, a hora se encontra no meio de uma temporada dividida por pontos de vista distintos, mas conduzida sob a mesma ideia de sobrevivência: o já referenciado pragmatismo. Logo, Abraham ganha estofo dramático sem parecer enrolação – Michael Cudlitz esteve excelente nos 43 minutos de episódio –, o molenga Eugene joga uma desumana verdade sobre o grupo – tornando tudo mais agridoce e desesperançoso –, e Rosita, mesmo que de uma forma menor – fortalecendo mais um par romântico –, torna-se simpática como nunca pareceu antes.

A direção de Ernest Dickerson não comete os mesmos equívocos vistos anteriormente (o terrível Alone, da temporada passada) e pela primeira vez na sua passagem pela série, o diretor consegue criar tensão e momentos realmente assustadores. Meus favoritos são aquele onde Abraham, numa vigília noturna, encara um walker vindo de surpresa contra a vitrine da livraria e o já memorável ataque com a mangueira no carro de bombeiros (melhor tática de defesa inusitada, não?).

O maior problema do episódio continua sendo a apatia que caiu sobre Maggie e Glenn. Não faz o menor sentido que ela não questione sobre o destino da irmã e todo o egoísmo velado que levou o casal a seguir com Abraham, ainda não me desceu. Ainda tem tempo para isso mudar, porém já adianto que Tara anda bem mais importante e relevante que os dois. A sobrevivente passa uma inocente determinação, que só me faz torcer por mais momentos divertidos como o da espiadinha na estante.

Entrando, em sua reta final da primeira parte, The Walking Dead ainda carrega as marcas da problemática quarta temporada, mas a cura vem chegando a passos largos. Num mundo onde a sobrevivência torna a morte a coisa mais fácil do mundo, a série aprendeu a sua lição: não dá para mentir para si mesmo quando a verdade é mais forte que qualquer omissão. The Walking Dead pode ser melhor, sendo menos.

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