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[Resenha] O Pianista


O Pianista é provavelmente um dos relatos mais aterradores já escritos sobre o nazismo – talvez, por ter sido narrado por uma de suas vítimas. O relato de Wladyslaw Szpilman sobre a ocupação de Varsóvia pelo exército alemão e subsequente concentração de judeus poloneses em guetos imundos e inabitáveis é, no mínimo, assustador e chocante, e, acomodando em pouco menos de 200 páginas sua narrativa de seis anos, evoca mais sentimentos que muitos livros longos e melodramáticos – talvez por sabermos que tais atrocidades, mesmo que absurdas, foram reais.

Do ponto de vista técnico, não há muito o que comentar, exceto que todo o livro é narrado com um distanciamento impressionante. O Pianista, ao contrário de muitos estudos e relatos sobre o assunto, foi escrito imediatamente após o fim da Segunda Guerra Mundial, imediatamente após a saída de Szpilman deste horror, e, ainda assim, suas páginas estão cheias de frieza e serenidade, como dita Wolf Biermann no epílogo da ótima edição de 1998, guiada pelo filho de Szpilman. Biermann teoriza que o autor talvez ainda não tivesse voltado completamente a si após os anos de violência, medo e tensão, e, após finalizada a leitura, não podemos culpá-lo. Se, por isto, a linguagem acaba sendo extremamente simples, esta continua contando com sofisticação e lucidez, de forma que, apesar de seu conteúdo não possibilitar que chamemos a leitura de prazerosa, a mesma acaba sendo pelo menos fluida e de fácil entendimento, sem rodeios ao tratar de seu tema.

As memórias de Szpilman são inacreditavelmente ricas, fornecendo detalhes sangrentos que enjoariam mesmo o mais forte dos estômagos. São vários os massacres e assassinatos ao longo do livro, e vários os personagens, também, que cruzam o caminho do autor. O pianista homônimo lembra de cada um deles, bem como de seus respectivos fins. O livro, afinal, é um retrato doloroso e realista de um dos mais sombrios períodos da humanidade, relembrando vividamente uma experiência violenta e nauseante.

A edição de 1998 é especialmente interessante por contar não só com o relato de Szpilman, mas com fragmentos do diário do Capitão Wilm Hosenfeld, mais um personagem que cruza o caminho do pianista e que compõe breves, mas emocionantes comentários de um oficial alemão que repugnava as atrocidades cometidas por sua nação, e do já citado epílogo de Wolf Biermann, que oferece dados históricos, clarifica alguns pontos sombrios e completa a história de Szpilman ao contar novos fatos sobre os sobreviventes e os desaparecidos. Estes textos à parte permitem um estudo breve, mas aprofundado sobre o nazismo e a vida nos guetos de Varsóvia.

O Pianista é um livro chocante e triste. Nenhum outro adjetivo é necessário para descrevê-lo. Talvez, nenhuma palavra seja suficiente para descrever o que Szpilman e todos os outros prisioneiros dos guetos e da violência nazista tenham sofrido; entretanto, este livro seja perto. Uma história de sobrevivência, mas, acima de tudo, de horror, O Pianista é absolutamente necessário para todos.




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