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[Review] The Walking Dead 5x08 - Coda

Assim caminha a humanidade.


Assim caminha a humanidade.

Antes de tudo, é preciso reconhecer que Coda não foi um episódio fantástico. A verdade é que, sem contar pelos cinco minutos finais, poderia muito bem ser qualquer outro episódio da série. Entretanto, apesar de não nos proporcionar um clímax tão forte como os de episódios que retrataram a invasão do grupo de Rick a Woodbury ou a invasão do Governador a prisão, Coda foi totalmente fiel ao caminho que a série se propôs a trilhar nesta quinta temporada. De forma que, analisando o conjunto dos oito episódios, temos até aqui o roteiro mais fechado que The Walking Dead apresentou em muito tempo. Falhas existem, mas o saldo final foi positivo, fechando bem esse arco inicial do quinto ano.

Coda trouxe à tona a questão que já havia sido discutida aqui em textos anteriores. Não apenas na fala de Tyreese e Sasha, que ao meu ver serviu apenas para deixar de maneira muito clara sobre o que a série vem tratando: a adaptação para o novo mundo. O engraçado, e o que talvez tenha sido uma sacada muito inteligente dos que escreveram este episódio, é o fato de ter havido diplomacia, bom senso e civilidade no meio da violência brutal que atingiu tanto o grupo do hospital, quanto o de Rick. E, antes disso, o que vimos foi totalmente o oposto, com Dawn e Rick mostrando seus lados mais agressivos.

Começando pelo protagonista: quando digo que Rick já é um "cidadão" do mundo pós-apocalíptico é devido sua notória - e cada vez maior - facilidade de fazer o que tiver que fazer para sobreviver. Atropelar e matar o tal policial Bob é só mais um indício disso. Acredito que nenhum outro ali mataria o policial daquela forma. Fato é que o método de Rick, apesar de eficaz, tem furos provando que não garantirá a sobrevivência de seu grupo sempre, como vimos ao fim do episódio. Haverá momentos em que dialogar será uma melhor saída do que chegar atirando. Pelo menos enquanto a maioria das pessoas não ficar igual à Rick, isso se chegarem a ficar. Agora, tecnicamente falando, a cena inicial que abriu este episódio já entra para uma das melhores da série.

Quanto a Dawn, somente vimos o que alguém autoritário é capaz de fazer para se manter no poder: se livrar de seus adversários. Pode parecer estranho, mas o que acontece naquele hospital ainda é o mais próximo da civilização que havia antes dos walkers aparecerem. Sistemas opressores existem em várias partes do mundo. O erro fatal de Dawn foi mexer demais com o sentimento de Beth, e provocá-la afirmando de Noah voltaria para a vida de servidão por vontade própria. E como ele realmente aceitou voltar para evitar uma tragédia inevitável, acabou na verdade desencadeando os eventos do final do episódio. Beth tentou fazer a sua justiça e morreu por isso. Darryl, em uma reação extremamente humana a vingou no mesmo minuto. Porém não dá pra dizer que a forma como Darryl matou Dawn é idêntica a que Rick matou o policial. Darryl foi guiado pela emoção, já Rick, pela insanidade que se confunde na mente dele como instinto de sobrevivência.

Após isso se esperava um verdadeiro tiroteio, onde mais vidas, além das de Beth e Dawn, se perderiam, mas voltando ao ponto que comentei anteriormente, não foi o que aconteceu. Prevaleceu o bom senso. Dawn estava morta, aquilo acabava ali. Nenhum policial queria vingá-la. Ninguém se importava com ela. Aí está a diferença entre o grupo do hospital e o de Rick. No do hospital não há laço algum entre as pessoas, mas elas continuam ali, pois é seguro. Tanto que ninguém além de Noah quis ir com Rick. Não faz sentido algum para eles. O hospital é uma sociedade autônoma no meio do caos, e deve resistir por muito mais tempo que quem estiver lá fora

Os eventos que ocorreram com Michonne, Carl e Gabriel, além da menina Judith, foram realmente para preencher o tempo do episódio - já curto -, porém é sempre legal ver Michonne demonstrando suas habilidades com o sabre. Abraham retornou bem em tempo, o que é simplesmente a solução encontrada pelo roteiro para unir todos de novo. Se seguiram para Washington ou não, só saberemos em fevereiro, por enquanto fica a dúvida de como o grupo lidará com mais uma perda. Megan demonstrou tardiamente se lembrar da irmã, o que foi uma falha da história, mas ainda sim deu pena dela. Vale lembrar que há exatos 16 episódios, no 4x08 ela perdia o pai, da mesma forma que perdeu Beth, em um conflito de pessoas entre pessoas, num mundo brutal onde os walkers são quase inofensivos se comparados ao que os humanos são capazes de fazer.

Enfim, agora temos aquele hiato gigante que todos amam - SQN! Em fevereiro um novo arco chega, e o que eu espero é que a série continue com uma proposta interessante. Foram bons episódios até aqui, principalmente os quatro primeiros. Agora temos o Chris no grupo, além de Gabriel, que é alguém capaz de comprometer a vida de todos ali. Seja para onde o grupo decidir ir, que The Walking Dead venha com algo interessante, pois eu não sinto falta da andança pela floresta. Obrigado a todos os leitores e até fevereiro!

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