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[Crítica] Para Sempre Alice


Muitos são os medos que tomam conta das mais profundas reflexões do ser humano. A ausência de um amor verdadeiro; o insucesso; a morte; ser esquecido... mas, se pararmos para pensar, chegar ao ponto de esquecermos de nós mesmos e dos que amamos pode ser uma das piores experiências, quase uma sentença de condenação.

Alice Howland (Julianne Moore, indicada ao Oscar de Melhor Atriz pelo papel) é uma renomada professora de linguística. No auge de seus cinquenta anos de idade, Howland passa a esquecer certas palavras e se perder pelas ruas que tanto conhece. Logo ela é diagnosticada com Alzheimer em uma forma extremamente rara, o que coloca em prova a força de sua família, já que a condição é hereditária e pode ter atingido seus filhos.

Delicadeza, talvez, seja a melhor forma para definir o ritmo adotado na condução deste longa que preza, acima de tudo, pela sutileza e o detalhamento de seus planos. Logo nos primeiros minutos de tela somos apresentados a uma mulher forte e determinada, além de respeitada por todos que lhe admiram e lhe acompanham veementemente; não tarda muito para que a personagem mostre seus primeiros sinais de doença, que chegam sem cerimônia. A sensação de perda e de desespero quanto a descoberta do Alzheimer é devastadora para Alice, bem como para o espectador, que observa na coerente e impressionante atuação de Moore os sinais de alguém que possui, a partir de então, um futuro completamente incerto.

E essa rapidez com que tudo acontece é, na maioria do longa, seu ponto alto. Do desenvolver dos sintomas até o ponto mais crítico da doença tudo acontece, e é impossível não se emocionar. A falta de tato também é observada em cada membro da família, cada um, ao seu modo, incapaz de ver o que sua mãe e esposa se tornou com o passar do tempo. Perder o celular, não saber onde está, esquecer quem é sua própria filha, não conseguir encontrar o banheiro de sua casa... tarefas simples, mas que como bem Alice citou, "isto é um inferno".

Dentre os destaques e surpresas proporcionados pelo longa, cito o belo discurso de Alice Howard na frente de outras pessoas com sua mesma condição. A cada palavra de seu atrapalhado texto, o arrepio é inevitável e, junto à cena final, este é um dos pontos-chave desta belíssima história. E os elogios não param por aí. O maior trunfo ficou mesmo por conta da bela e conturbada relação entre Alice e Lydia (Kristen Stewart, numa inspirada interpretação), sua filha mais nova e mais distante da família, uma aspirante a atriz e louca para seguir seus sonhos numa carreira no teatro pela qual tanto almeja.

Com um roteiro honesto e uma direção que não deixa a desejar, Para Sempre Alice é um grande achado, tanto por sua protagonista tão frágil e tão forte ao mesmo tempo, quanto por tocar em um assunto tão delicado e aberto a inúmeras reflexões. Um verdadeiro grito de socorro.

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