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[Review] Game of Thrones 5x07 - The Gift

Um passe para o inverno.


Um passe para o inverno.

A três semanas de sua season finale, Game of Thrones entra num modo poucas vezes visto na série: aquele onde ações e reações acontecem em prol da urgência, demandada pelos rumos definitivos que a trama tomou até aqui. Não existe mais um ponto de retorno no universo adaptado - e imaginado, vale salientar - por David Benioff e D. B. Weiss. Os descendentes de Ned Stark, ainda vivem o horror plantado pelos Lannister, e os próprios leões amargam uma maldição prevista no passado da sua matriarca. A história, que antes se enviesava por caminhos aparentemente distantes da colisão prometida pela máxima "o inverno está chegando", finalmente marcha no ritmo das nevascas que assolam o norte de Westeros. É o senso de convergência dramática - outrora ausente nos Sete Reinos - fazendo sua estreia numa temporada levianamente incompreendida.

Quando a imagem da violência sofrida por Sansa é impressa nas marcas que Ramsay deixa na garota, torna-se impossível não se comover com o empenho dela na busca por uma rota de fuga. Muitos podem reclamar com um "poxa, ela vai ser salva de novo?", porém fica claro que a moça, que ingenuamente confia em Theon, não espera mais um "príncipe de armadura reluzente". A forma como ela desafia, com ironia, os discursos do marido e o olhar de ódio diante da senhora esfolada pouco lembra a garota que desmaiou ao ver o pai ser decapitado em praça pública. A possibilidade de que Brienne responda ao pedido de socorro de Sansa, num futuro não tão distante, faz a trama em Winterfell crescer como importante nos rumos decisivos do quinto ano. São duas personagens femininas que ganharam nosso apreço com o tempo e que, provavelmente, devem protagonizar um dos ganchos mais dramáticos na finale.

Jon Snow e Stannis também enfrentam desafios brutais, deixando consciência e consequência se digladiarem nas decisões que precisam tomar. Jon sabe que deixar a Patrulha, a mercê de Sor Alliser é pedir por um motim. A morte de Meistre Aemon logo após a partida do comandante e a perseguição de Sam e Gilly é só o começo da avalanche que deve estourar em Castelo Negro. Quando voltar da missão de resgate em Durolar, a Patrulha da Noite que Jon Snow deixou não será mais a mesma: apenas Fantasma e Sam estarão do seu lado. Já com Stannis, a morte do seu exército pelo frio do norte e o sombrio ultimato dado por Melisandre o deixam na posição que Jon se encontrava antes de escolher lutar pelos selvagens. São duas tramas que rimam, tendo como McGuffin o gélido inverno que muitos duvidavam chegar à série; uma resposta à altura para as críticas que o roteiro sofreu no passado.


Acho que dez entre dez fãs de Game of Thrones aguardavam a derrocada de Cersei. O flashback que abriu a temporada não esteve lá por acaso, e em The Gift parte da profecia dita pela bruxa se concretizou. Quando li O Festim dos Corvos também estranhei o súbito crescimento da Fé na história, porém o que veio de presente com o protagonismo do Alto Pardal compensou essa sensação. Na série, tudo ocorre na mesma toada e rapidez, porém a sacada inspirada dos roteiristas foi a participação de Olenna e Mindinho na prisão da rainha mãe. O núcleo de Porto Real sempre nos entregou grandes eventos e aqui não foi diferente. A forma e prontidão com que tudo vai se desenhando até estourar no excelente diálogo dentro dos porões do Septo de Baelor arrepiam de uma forma única.

Vale comentar, também, o quão importante foi a entrega do quarteto formado por Lena Headey, Aidan Gillen, Diana Rigg e Jonathan Pryce, um cast que segura a canastrice de uma guerra fria velada por ameaças bem reais, porém que poderiam soar fora do tom ao menor descuido. E por "fora do tom", ao sul de Westeros e bem próximo de Porto Real encontra-se um núcleo diametralmente oposto ao empenho dramatúrgico do elenco citado acima. Sim, é de Dorne (ou Dorme) que eu estou falando. Nada aconteceu no país de Oberyn e nada de relevante deverá acontecer até o final da temporada. Eu sei que é pedir demais, mas acho que, na sala de edição, ainda dá pra juntar tudo o que gravaram lá e encaixar num episódio só. Ninguém deveria ser obrigado a ver tanta besteira quando poderia estar vendo, por exemplo, mais de Porto Real.

Mas se vocês acharem que o tempo de tela da capital já está de bom tamanho, podem estender as vindouras cenas entre Tyrion e Daenerys. A chegada conveniente da dupla aos pés da rainha de Meereen, apaga toda e qualquer sensação de atropelamento que a rapidez dos eventos possa ter passado. Tudo o que foi visto no episódio ainda vai acontecer na obra original e só posso dizer que Benioff e D.B. Weiss deram um balão narrativo no Martin.

O novo capítulo de Game of Thrones, no próximo domingo, continuará com a tagline "worlds will collide", sendo o principal mote do quinto ano. Uma colisão de presentes e poucos equívocos, que só me faz admirar mais e mais tudo que está sendo feito. É muito orgulho, meus caros. Muito orgulho! 

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