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[Crítica] Tomorrowland - Um Lugar Onde Nada é Impossível


Com uma carreira de sucesso à frente de animações, Brad Bird ainda é consideravelmente novato quando se trata de longas live-action. Tomorrowland é apenas seu segundo filme na área, e, ainda assim, ambicioso, arriscado e caro. É uma pena que desde já demonstre infelizes sinais de flop, pois o projeto de Bird é divertidíssimo e energético do início ao fim.

Em Tomorrowland - Um Lugar Onde Nada é Impossível, acompanhamos Casey Newton (Britt Robertson), uma adolescente otimista e vibrante com curiosidade científica, cujo destino se liga ao do gênio desiludido Frank Walker (George Clooney). Juntos, os dois embarcam numa missão para desvendar os segredos de um local enigmático em algum lugar no espaço-tempo conhecido como Tomorrowland. O que eles precisam fazer lá mudará o mundo e suas vidas para sempre.

Ainda que se desenvolva em pontos comuns, Tomorrowland jamais é genérico - e este é precisamente o eixo de sua vitória. Seu senso de "maravilhamento" é algo raro nos blockbusters recentes; a habilidade de Bird em imprimir surpresa, emoção e júbilo mesmo nas cenas mais desimportantes é contagiante. Bird, aliás, se destaca pela primorosa direção, especialmente revigorante após uma série de longas live-action da Disney decepcionantes neste quesito. Dificilmente alguma sequência no âmbito dos blockbusters conseguirá, ainda neste ano, superar em complexidade e técnica o plano sequência de apresentação da futurística Tomorrowland sob o ponto de vista de Casey, que consegue com perfeição reavivar no espectador a sensação de espanto infantil que há tanto parece perdida no cinema do gênero.

De fato, é esta a sensação que perdura ao longo de toda a experiência fortemente visual pela saga de Tomorrowland. E não se trata apenas dos belíssimos efeitos, de uma arquitetura e execução criativa apaixonantes, mas também das abordagens mais básicas que constituem o cinema. Os cortes secos que levam Casey pela primeira vez a Tomorrowland, ainda no início do filme, são uma jogada belíssima, que, entre outros aspectos da montagem e da direção, conferem ao longa um charme único que o destaca de seus semelhantes. Já a fotografia de Claudio Miranda, apesar de não ser extensivamente trabalhada, é essencial e belíssima para criar momentos específicos, capturando energia, sobriedade, tragédia e esperança de acordo com a necessidade de cada cena. 

Tomorrowland é, sem dúvidas, um filme lindo de ser visto. Entretanto, são em outros aspectos que suas imperfeições habitam. O humor infantil, sempre bem trabalhado e jamais grotesco, é sem dúvidas um dos acertos do roteiro, desde a sátira a clichês do gênero até a canastrice de determinadas situações; porém, o texto de Tomorrowland, em sua essência, é inegavelmente fraco. Não fosse o talento de Bird em extasiar seus espectadores, poderíamos estar diante de uma história dolorosamente ordinária. O bem-vindo debate entre o pessimismo atual e o otimismo utópico - que pode voltar-se tanto para o mundo real quanto para a própria indústria hollywoodiana, quase como se o filme tivesse ciência de seu lugar iluminado em meio a tantas histórias sombrias - é um tanto simplista ao reduzir sua mensagem final para a mera importância do pensamento positivo, o que se reflete em especial na estranheza de seu terceiro ato e de sua conclusão. Os diálogos, majoritariamente pobres e sem dinâmica, são especialmente prejudicados pelas performances igualmente fracas; ainda que Clooney tente se segurar com suas caras e bocas, o trabalho de Robertson é paupérrimo e insuportavelmente caricato, demonstrando uma preocupante estagnação em sua carreira desde as já péssimas atuações em séries de TV. Similarmente, a atriz mirim Raffey Cassidy, no papel de Athena, não parece se adequar muito bem às necessidades do papel.

Ao final, Tomorrowland é um espetáculo visual muito divertido, ainda que não seja exatamente original. Apesar de fortemente influenciado pela carreira de Bird à frente de animações, o longa dificilmente teria o mesmo impacto em qualquer modelo que não fosse o live-action, e é em parte por habitar confortavelmente na interseção de maneirismos dos dois extremos que Tomorrowland consegue manter um tom tão firme e único, sem jamais decair à imaturidade. Enfim, com uma mensagem pouco profunda, mas inegavelmente importante para seu público alvo, isto é, as crianças, é improvável que o filme consiga o destaque que merece, e acabe esquecido após o fim da sessão. Por mais inofensivo que seja, Tomorrowland ainda desperta maravilhosas sensações que com certeza seriam adoráveis lembranças de infância para esta nova geração.

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