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[Review] Game of Thrones 5x08 - Hardhome

Os Ventos do Inverno.


Os Ventos do Inverno.

Lá no piloto de Game of Thrones, ao assistirmos a cold open que começava no sopé de uma impressionante muralha de gelo, era decididamente impossível se mostrar indiferente à ambição impressa pela nova série da HBO. Foi naquela cena também que tivemos, pela primeira vez, um vislumbre do olhar aterrador dos White Walkers, bem como dos seus poderes sobre os mortos. Cinco anos depois, a continuidade dos eventos iniciados pela brisa gélida, que já punha os dizeres do norte como uma das taglines mais misteriosas do show - "Sim, 'o inverno está chegando', mas afinal, por que tanto medo dele?" -, desponta como a representação máxima do patamar alcançado pelos showrunners David Benioff e D. B. Weiss.

A chegada de Jon Snow à vila de Durolar funciona como prólogo da apoteótica batalha que encerra o maior capítulo da série. Não obstante, o próprio roteiro consegue jogar na cara dos que andaram reclamando de "ritmo arrastado" o quão necessária foram as "cenas chatas" para criarmos empatia com os diplomatas por ocasião, que chegam ao acampamento selvagem. Nota-se aqui não só o texto se encarregando de dar toda a substância que faltava para acreditarmos no Jon Snow de Kit Harington, como também nos fazendo enxergar a importância e respeito, impostos pela figura de Tormund - que ganha um apelo especial graças ao trabalho do ator Kristofer Hivju. Algo semelhante acontece com os expressivos líderes do Povo Livre, que mesmo com um reduzido tempo de tela não deixam de desempenhar papéis fundamentais durante o cerco executado pelos White Walkers e o seu Exército dos Mortos.

Para falarmos dos quesitos técnicos, nem é preciso adiantar que todas as formas de compensações elogiosas são válidas. Tomando os vinte minutos finais do episódio, a tensão gerada pela trilha sonora e pelas tomadas do diretor Miguel Sapochnik - tem Emmy vindo aí, hein? - é atordoante. Ao velar a figura dos mortos com pancadas ferozes nos portões, para logo depois mostrar a sede de sangue das criaturas numa toada brutal, o diretor nos faz temer pelo destino de personagens que acabamos de conhecer. Logo, a sequência não para de crescer e a cada nova ameaça, desprendida pelo Rei da Noite, tudo parece se encaminhar para o mais trágico dos fins. Porém, no ápice de um movimento catártico de Jon Snow, o aço valiriano ganha vez e algo trabalhado há tantos episódios desponta como o ponto de ruptura e decisão na batalha. É a convergência dramática regendo o quinto ano de Game of Thrones, com um empenho quase literal. 

No norte, também temos Sansa se mostrando tão consciente quanto Jon. A forma como a garota coloca Theon contra a parede só reforça a posição que ela alcançou na temporada. Assim, descobrir o real destino dos irmãos mais novos pode ser a predição de um futuro empenhado na procura pelos mesmos. E é numa busca diferente - agora por redenção e vingança - que a Stark mais distante de Westeros parte para nova fase do seu treinamento. A visão do mercado de Braavos me deixou com um brilho nos olhos e confesso, como leitor dos livros de Martin, que eu não poderia estar mais feliz com o tratamento dado a Arya. Talvez, a evolução da garota na obra original seja um dos poucos pontos altos existentes nos dois últimos livros lançados, e perceber isto refletindo na série me deixa ainda mais admirado. O mesmo vale para o garotinho Olly na Patrulha da Noite que, se pararmos para comparar, é uma versão masculina de Arya e vem se empenhando no mesmo tom que o da garota ao tentar entender a razão pela qual seu comandante comunga com aqueles que deveriam representar a maior ameaça para o seu povo. 


Para coroar Hardhome como uma das horas mais importantes da história de Game of Thrones, Tyrion e Daenerys tem um dos diálogos mais incríveis da série. Peter Dinklage é um mestre ao fazer o desdém do anão surgir como sua maior armadura, mas reforço que os últimos quatro anos fizeram muito bem a Emilia Clarke, pois a atriz não se mostra menos imponente diante dele. A conversa sobre a "roda do poder" e a decisão sobre o futuro de Sor Jorah me faz torcer por cenas e mais cenas entre os dois. Dany tem agora um dos melhores jogadores de Westeros em suas mãos e, desta vez, o trono de ferro parece ser uma certeza absoluta. 

Em Porto Real, Cersei amarga seus crimes aos "cuidados" da Fé Militante, mas a leoa não é tão forte como tentava transparecer. A cena entre ela e Qyburn é pontual, deixando claro que o seu destino será o mesmo que foi impresso nas páginas das Crônicas de Gelo e Fogo. Estamos prestes a presenciar uma das passagens mais comoventes entre as já escritas por Martin, e se levarmos em conta o trabalho feito neste episódio, o monstrinho da ansiedade já tem alimento suficiente para crescer forte e voraz. 

Game of Thrones encerrará sua temporada mais ambiciosa, redefinindo e dificultando o trabalho de quem pretende, futuramente, estabelecer novidades no gênero da fantasia. Independente de quão hater você seja, está cada vez mais difícil de justificar discursos vazios sobre os erros da série. Afinal, ela segue tão grande quanto o universo que apresenta.

P.S.1: A devoção de Sor Jorah por Dany chega a ser doentia, mas confesso que fiquei com pena do velho urso.

P.S.2: Cala a boca, Cersei! "Seja menas", filha, que você já está na pior.

P.S.3: A expressão de Jon Snow diante do último comando do Rei da Noite nos representou muito bem. Que negócio absurdo.

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