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[First Look] The Bastard Executioner 1x01/02 - Pilot

“ Prepare to get medieval. ”


Prepare to get medieval.

O nome Kurt Sutter no mundo dos seriadores carrega uma áurea mítica de violência, sobriedade e ousadia. O showrunner mais sádico da TV americana – perto dele Steven Moffat, Shonda Rhimes e George R.R. Martin seriam roteiristas de Os Backyardigans – apareceu de fininho quando apresentou o intempestivo e sombrio universo dos motoqueiros shakespearianos de Charming. Porém, não era quietude o que seria entregue nos assombrosos sete anos da saudosa Sons of Anarchy. Assim, dizer que The Bastard Executioner chegou cercada de expectativas é chover no molhado. De início, eu posso dizer que julgar o que a série propõe quando a mesma ainda está tão verde torna-se um tanto quanto difícil, mas se eu falar que não fiquei curioso, positivamente, sobre o que virá nas próximas oito semanas estarei mentindo.

Quando o medievo de TBX se escancara em tripas, membros voando, clangor de espadas, maças e galopadas ferozes, é impossível não pensar que estamos prestes a encarar um “tudo novo de novo” com o selo Sutter de gore e pesar. A jornada do guerreiro Wilkin Brattle bebe da fonte dos filmes clássicos do gênero como Coração Valente, só que não mostra aquela mesma força impressiva que o mundo do longa de Mel Gibson, ou até mesmo o de Jax, Clay e companhia, conseguiu despender. A Wales do século 14 com feudos, barões, catolicismo, curandeiras e de tramas políticas, a princípio pouco interessantes, é uma fonte ampla de plots que podem e devem crescer. Logo, reclamar da falta de ação no piloto de uma hora e meia é inadmissível.

Com um roteiro que é ágil o suficiente em criar sequências de ação que não soem pretensiosas ou deslocadas, não demora muito para nos encontrarmos torcendo pelo sucesso das empreitadas de Wilkin, ainda que o ator Lee Jones se apresente pouco carismático. Desta forma, os personagens mais interessantes de TBX acabam sendo aqueles que não estão engessados pela alcunha de herói. Sim, eu falo do malicioso Milus Corbett, vivido por Stephen Moyer (o Bill de True Blood), e da misteriosa baronesa Lady Love, a olhuda Flora Spencer-Longhurst.

A típica caminhada da vingança trilhada por protagonistas nunca se sustenta sem personagens secundários que amaremos odiar, ou sem aqueles cujos propósitos não entenderemos até a chegada de um twist cabuloso. Milus e Love são estas duas figuras. O guardião passa a perna num bocado de gente, pede pela execução do próprio irmão e ainda esconde uma curiosa agenda para chegada de Wilkin ao castelo Ventris. Já a baronesa cerca-se com um véu de incertezas, que só me fez querer mais algumas cenas com ela. O intrigante encontro na capela serve de exemplo para o que eu quero dizer.

Antes de American Horror Story e The Americans, design de produção nunca havia sido uma das marcas do FX, mas o reflexo desta entrada na corrida das superproduções da TV encontra-se nos belíssimos cenários escolhidos para dar vida a Wales de TBX. A sensação é a de que encontraremos um vasto campo de momentos que, mesmo distantes da imponência visual de uma Game of Thrones, não fará feio a canais como AMC e Showtime. O mesmo vale para direção de arte acurada e para construção das expressões linguísticas mais antigas. Meu único problema foi com a personagem da Katey Sagal. A curandeira Annora dos Alders é uma caricatura incômoda, que pode ofuscar todo o talento da atriz se o roteiro acabar resumindo suas passagens em cenas e falas de efeito.

Garantida pelo menos por uma temporada, a série possui todos os requisitos para figurar como um dos pontos altos da Fall Season deste ano. Se ela pode melhorar? Sim, e muito. Afinal, eu quero estar agradecendo por mais um presentão do Sutter lá no fim de novembro. Vocês não?

P.S.: Não muito diferente da Katey Sagal, a presença do Kurt Sutter no episódio foi breguíssima. Galera, vocês foram Gemma Teller e Otto Delaney! Tem que ver isso aí, hein?!

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