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[Review] The Knick 2x03 - The Best with the Best To Get the Best


Não sei nem como começar este texto (o que é uma coisa boa!). The Knick tem uma construção narrativa formidável. Não somente temos os dramas de cada personagem sendo desenvolvidos, mas também o contexto não é deixado de lado. O espírito de época dos Estados Unidos do início do século XX está bem exposto aqui. E eu aplaudo os criadores Jack Amiel e Michael Begler por criarem uma série que não subestima o seu espectador. E as qualidades que mencionei acima estão presentes neste terceiro episódio.

Bertie vai trabalhar no laboratório de um rígido hospital judeu. Rígido ao ponto de não permitirem que ele seja chamado de Bertie por seus colegas durante o expediente. Neste local, Bertie toma contato com uma substância experimental tirada da glândula de vários animais conhecida como “adrenalina”. O trabalho de Bertie será verificar as adequações da substância nos procedimentos cirúrgicos, e não demora para que ele veja que o hospital possui protocolos que barram a inovação e experimentação. Não bastando encontrar um ambiente de trabalho completamente novo, o jovem médico também conhece Genevieve Everidge (Arielle Goldman), uma repórter que trabalha para um periódico intitulado Collier’s, cujo artigo sobre os tratamentos dados aos internos nos sanatórios impressionou Bertie. Com isso, ele leva Genevieve para um encontro, onde se conhecem ainda melhor. Veremos como a dinâmica entre os dois vai evoluir ao longo da série.

Atormentada pela culpa de ter perdido a virgindade com Thackery e ter consumido cocaína por causa de seu envolvimento com ele, Lucy confessa-se perante a congregação da igreja que frequenta, deixando seu pai enfurecido ao ponto de bater nela como forma de corrigi-la. Por outro lado, conhecemos um pouco do caráter do reverendo Elkins, um pai abusivo e o tipo de pastor que apela para a culpa de seu rebanho na espera de um gordo dízimo. De volta a Lucy, vemos que ela precisa lidar com as investida de Henry, que é insistente e está disposto a conseguir o que quer (seja lá o que isso significa). Como Lucy irá lidar com o filho do Capitão Robinson no futuro só saberemos mais pra frente. Enquanto isso, Henry investe alto em uma nova e revolucionária forma de transporte coletivo: o metrô. Como será que Henry sairá ganhando com isso?

Vemos também alguns pequenos dramas neste episódio de Barrow e de Cleary. O administrador do hospital continua trabalhando firme na construção da nova sede, investindo apenas nos melhores materiais e nas melhores pessoas. Barrow é surpreendido por uma figura do passado no local da obra, Jimmy, que promete atormentá-lo ainda mais no decorrer da história. Mais tarde, Barrow suspeita que Jimmy o encontrou por causa de um evento que teve o Dr. Mays envolvido, que não sabe das ligações perigosas de Barrow. Como se não bastasse, Barrow quase teve um desentendimento com Junia, a prostituta com quem ele tem um forte envolvimento afetivo. Já com Cleary as coisas não andam muito bem. Tendo que lidar com a relutância do advogado que cobra alto para defender a irmã Harriet, seu lutador morre durante uma luta devido à alta dose de cocaína que Cleary aplicou como forma de estimulá-lo.

Sabendo das dificuldades de manter um advogado na causa de Harriet, Cornelia tenta convencer Philip a custear a defesa da freira, o que faz com que seu marido se oponha radicalmente à ideia. Ainda surpresa com o fato de ter encontrado o caixão do inspetor Speight vazio, Cornelia vai procurar Edwards para comentar o fato, que acaba sucedendo num momento de fraqueza entre os dois no qual eles se beijam. Cornelia está disposta a reatar a antiga relação que tinha com Edwards, no entanto, o vice-chefe de cirurgia tem uma inesperada surpresa: a chegada de Opal (Zaraah Abrahams), a esposa inglesa cuja existência escondeu de todos ao seu redor. Quais serão as verdadeiras intenções de Opal? Como isto afetará a relação entre Edwards e Cornelia?

Quanto ao nosso protagonista, vemos que Thackery está longe de abandonar os velhos hábitos. Sabendo que será periodicamente examinado no hospital para ver se existem marcas de agulha pelo seu corpo, o cirurgião-chefe consegue uma forma de burlar o sistema, transformando a droga líquida em pó e ingerindo-a via nasal. Não somente isto, Thackery prossegue encontrando Cate, com quem se droga e tem relações sexuais no processo. Na mesma noite em que se encontra com Cate, Thackery procura Abby, sua ex-esposa. O médico descobre que a moça sofreu complicações decorrentes do procedimento de inserção da prótese nasal que resultou em sífilis. Com isso, Thackery começa a pesquisar um tratamento para a doença ao lado de Edwards, o que desperta a inveja de Gallinger.

Por sua vez, Gallinger precisa lidar com o estado psicológico de Eleanor, demonstrando paciência e devoção a sua esposa. Algo que é visto por sua cunhada Dorothy com bastante indiferença, levando a crer que a moça está de fato interessada por Gallinger. Tendo que ir desacompanhado a um encontro com seus colegas de faculdade, o jovem médico encontra um grupo discutindo sobre a introdução da eugenia nas universidades norte-americanas. Para quem não sabe, a eugenia é uma teoria de controle social que visa melhorar as qualidades raciais das futuras gerações, ou como definiu Gallinger: “procrie o melhor com o melhor para ter o melhor”.

Tendo em vista o contexto extremamente racista no qual a série está inserida, estamos testemunhando o início do que ficou conhecido como “eugenia negativa”, fenômeno que se popularizou nos EUA através da formação de diversas instituições eugênicas, que trabalhariam na eliminação das futuras gerações de “incapazes” através de métodos como, por exemplo, a esterilização. É sensacional a forma como a série reconstrói o espírito de época do contexto em que se situa sem jamais soar didático, e esta será uma das discussões mais interessantes a se acompanhar. Será que Gallinger vai se tornar um entusiasta da eugenia, dado o desprezo que este sente por Edwards?

É por causa de discussões como esta que me apaixono por The Knick a cada dia. Muita coisa ainda está para acontecer e este episódio já está entre os melhores desta temporada. Todos os aplausos do mundo para Jack Amiel, Michael Begler e Steven Soderbergh por presentearem os espectadores com uma série impecável e sem igual.

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