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[Review] The Leftovers 2x10 - I Live Here Now (Season Finale)


Uma temporada impressionante chega a um fim devidamente impressionante. De fato, é estarrecedor como o segundo ano de The Leftovers entrou numa raríssima curva de qualidade, em constante ascensão, com pouquíssimos e insignificantes tropeços no caminho. Poucas séries conseguem manter tamanha coesão e unidade ao longo de um arco sequer, que dirá dez episódios inteiros com vários personagens únicos e suas tramas paralelas. Um episódio simples e direto narrativamente, mas angustiante como nunca, I Live Here Now é uma explosão apoteótica que sufoca seu espectador até praticamente esmagá-lo.

Se Ten Thirteen tinha se construído em cima de uma expectativa aterrorizante, I Live Here Now é um abismo de horror. Cada um de seus 71 minutos é dotado de uma intensidade absurda – e não estou exagerando. Chega até a ser difícil comentar uma única cena de destaque: são inúmeros momentos poderosíssimos e aterradores, como a primeira discussão entre os Murphy, o desabafo de Michael na igreja, as dolorosamente longas sequências na ponte, o karaokê de Kevin, a desolação de Jayden, o último confronto com Meg e a sequência final. Mesmo agora, em retrospectiva, é difícil conter a emoção, sabendo que de maneira alguma absorvi a totalidade deste último capítulo. I Live Here Now parece determinado a induzir o espectador a uma crise de ansiedade – e chega bem perto.


Em diversos momentos, com maestria profunda, I Live Here Now nos deixa à beira das lágrimas. Em outros, revira nossos estômagos e pressiona nossos peitos até nos deixar sem ar. Na maior parte do tempo, faz ambos, apoiado no que talvez seja a melhor direção de Mimi Leder na série. Como uma saraivada de tiros, I Live Here Now é incessante – um episódio que só pode ser descrito como desolador. A Season Finale busca convergir as várias tramas que, até então, haviam sido tratadas individualmente, numa sincronia que se equipara a uma perfeita e tensa sinfonia – tanto dos elementos narrativos, quanto técnicos, quanto emocionais – com uma intensidade imprevisível e absurdamente acentuada, o que é particularmente assombroso para uma temporada que já havia sido maravilhosamente intensa.

Eis que chegamos ao fim com um saldo de fortíssimos materiais, que merecem premiações em praticamente todas as categorias existentes – e até mesmo nas não-existentes, uma vez que dificilmente há prêmios para a fotografia e a sonoplastia de séries. Tecnicamente soberba, esta temporada de The Leftovers se encontra entre as maiores realizações das artes audiovisuais do ano, e oferece verdadeiras aulas de cinema e ficção televisiva. Não me surpreenderia em, no futuro, encontrar a série entre objetos de estudo acadêmico.


Um dos episódios mais chocantes e impactantes de toda a série, I Live Here Now fecha a segunda temporada deixando ao subjetivo apenas o essencial, ao contrário da primeira temporada, que, ao final, soou afetada, ainda que já fosse dotada de um impacto emocional desestabilizador. O segundo ano de The Leftovers termina novamente redondinho, sem exigir necessariamente uma continuação – ainda que todos a desejemos. Com uma terceira (e última) temporada já encomendada, The Leftovers conta com nossa total confiança de que terminará sua breve história com louvor; se, ano passado, encontrávamo-nos preocupados com a futura direção da série, agora, The Leftovers já fez mais do que o necessário para provar seu valor diversas vezes. Que temporada pesada e desesperadora. Uma obra-prima de angústia e reflexão, The Leftovers se garante como a série mais ousada, dura, honesta e visceralmente emocionante da TV, com um valor artístico sem igual.

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